sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ciência e Filosofia (4)

Continuação das publicações anteriores:


"Em relação aos planos inclinados, os alunos explicaram a experiência de Galileu, que implicou a montagem representada na seguinte figura: 


Esta experiência consistiu em ir baixando sucessivamente a inclinação do segundo plano inclinado e, a partir daí, Galileu reparou que independentemente da inclinação do segundo plano, a bola atingia sempre o topo. Assim, Galileu deduziu que se o plano fosse horizontal (em vez de inclinado) a bola iria permanecer sempre em movimento e só iria devido à existência de alguma força de atrito ou contacto com algum obstáculo. Deste modo, Galileu, ao contrariar Aristóteles (que afirmava que um corpo em movimento acabaria eventualmente por parar) mostrou mais uma vez a sua irreverência e ideias revolucionárias que na altura não foram aceites, mas que atualmente são imprescindíveis no que diz respeito ao conhecimento dos fenómenos que ocorrem no mundo.

Os alunos terminaram a sua apresentação focando a seguinte passagem do poema, uma vez que esta se relacionava com a sua apresentação:

foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

Joseph-Nicolas Robert-Fleury, (1797-1890) Galileu perante o Tribunal do Santo Ofício
                Por fim, a professora agradeceu a presença de todos os elementos presentes, nomeadamente aos alunos que participaram na apresentação dos conteúdos focados durante o encontro e à professora dos alunos do 11ºJ, que disponibilizou o seu tempo de aula.


Considerámos este encontro extremamente enriquecedor, uma vez que permitiu aos alunos dos diferentes cursos apreender noções importantes não só relacionados com o seu curso, mas também sobre os fenómenos da Natureza." 

Relatório dos alunos Zhu Yuwei e Daniel Silva, 11º B


Nota - Esta atividade de âmbito interdisciplinar permitiu que alunos de Cursos diferentes, o 11ºB de Ciências e Tecnologias e o 11º J de Línguas e Humanidades, comunicassem entre si a partir da disciplina comum de Filosofia. Foi uma atividade integrada no Projeto Leituras Entrelaçadas da BECRE da Escola Secundária de Madeira Torres. Contou com a colaboração da professora Paula Gonçalves, professora de Física e Química do 11ºB, e das professoras Manuela Catarino e Beatriz Duarte, professoras de História e de Português, respetivamente, dos alunos do 11ºJ. De relevar a participação dos alunos do 11º B, João Ramalho, Mariana Feliciano e Joana Bezerra. 

Ciência e Filosofia (3)

(continuação das duas publicações anteriores)


"Este poema é sobre a vida de um dos "gigantes da física" – Galileu Galilei que viveu no século XVII. Galileu é considerado por muitos o pai da ciência moderna porque foi o primeiro a combinar observação experimental com a descrição dos fenómenos num contexto teórico, com leis expressas em formulação matemática. Pode dizer-se que Galileu marcou a transição da filosofia natural da Antiguidade ao método científico atual. Durante a sua vida, dedicou-se aos estudos relacionados com a Física, sendo esta uma ciência extremamente importante para o homem e para a evolução. Teve o início na Grécia Antiga, onde os filósofos procuravam entender o funcionamento da dinâmica do planeta Terra e seus fenómenos.

No contexto desta afirmação
, a professora apresentou o exemplo de Tales de Mileto, que foi considerado o primeiro filósofo pelo facto de buscar explicações de todas as coisas através de um princípio ou origem causal (archea), diferentemente do que os mitos antes mostravam. Tales acreditava que os mitos não eram suficientemente esclarecedores e, como tal, procurava uma explicação racional para entender o mundo à sua volta. Essa busca racional pela verdade marca o início da Filosofia.
De seguida, os alunos do 11ºB iniciaram a explicação sobre algumas estrofes importantes no poema.

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.


Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

            Os alunos começaram por esclarecer que, segundo Galileu, dois objetos pequenos, compactos e com pesos distintos lançados a uma curta distância, atingiriam o chão à mesma velocidade, o que se refere a uma queda livre. Tal deve-se ao facto de a única força a atuar neles ser a força gravítica (uma força à distancia que a Terra exerce sobre sobre o nosso corpo), ou seja, a resistência do ar neste caso é desprezável. O movimento é o movimento uniformemente acelerado na descida e uniformemente retardado na subida, uma vez que a aceleração é a aceleração gravítica (cujo valor é 10m/s2), o que implica que velocidade aumente 10 metros em cada segundo durante uma descida e diminua 10 m/s numa subida. Os aprendizes apresentaram ainda a experiência que prova a conclusão de Galileu, que consistia em calcular a variação da aceleração através da expressão a=V/t (a variação de aceleração é igual à variação de velocidade a dividir pela variação de tempo). A variação de velocidade é, por sua vez, determinada pela distância que o objeto percorre entre duas células fotoelétricas. Neste caso, é espectável verificar que a aceleração dos diferentes objetos sejam bastante próximas e é idêntica à aceleração gravítica."
                                                                                                         
(continua)