terça-feira, 8 de maio de 2018

Solomon Asch e o conformismo - I


Temos 2 cartões. 

Tarefa:

- Qual das linhas do segundo cartão - A, B ou C - tem um comprimento semelhante à linha do primeiro cartão?


imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Experimentos_de_conformidade_de_Asch
A resposta parece simples e óbvia ?
Sim.

A resposta é simples e óbvia?
Não.


É possível que esta tarefa, em certas circunstâncias, se revele de especial dificuldade?

É.

Porquê?

Para saber do que estamos a falar, aqui vos deixamos dois videos que nos remetem para uma das experiências de Solomon Asch, realizadas originalmente na década de 50 do século XX. O primeiro, em português do Brasil, é mais simples. O segundo, em inglês e legendado em castelhano, é mais completo.







Sobre o conformismo, remetemos para este texto de apoio publicado aqui: http://www.hoops.pt/psicologia/psico5.htm

segunda-feira, 7 de maio de 2018

E em 2018 o Exame de Filosofia é...

no dia 18 de junho, às 9:30.

Isto quer dizer que é preciso estar junto à sala às 9:00, para os procedimentos habituais...

De resto, o mais importante é ter a atitude confiante e tranquila de quem estudou e não vai encontrar nenhuma surpresa ou questão misteriosa. Mas há um segredo....
Isso, no estudar é que está o segredo.


Imagem retirada de http://donasebenta.com/2013/10/exames-nacionais-e-provas-finais/



PROSOFOS - VI Olimpíadas Nacionais da Filosofia

«As VI Olimpíadas Nacionais de Filosofia decorreram no Agrupamento de Escolas Júlio Dantas, em Lagos, nos dias 21 e 22 de abril, sendo que, mais uma vez, o resultado foi muito positivo, no que se pode afirmar o melhor dos mundos possíveis.

Agora, os vencedores desta VI edição irão a Roterdão, Holanda, representar Portugal nas XXV International Philosophy Olympiads, acompanhados pelos professores Manuel João Pires e Domingos Faria, e pelo secretário da Comissão Organizadora, João Madeira.»

Picture

Para mais informações consultar o site da Prosofos, de onde retirámos o texto e a imagem desta notícia, em https://prosofos.weebly.com/

12º Colóquio dos Jovens Filósofos

No próximo dia 11 de Maio, entre as 10h00 e as 17h30, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, vai realizar-se o 12º Colóquio dos Jovens Filósofos.

Na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro<br />
12º Colóquio dos Jovens Filósofos<br />
Imagem retirada de https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=7001528


Para mais informações, consultar o site de onde retirámos a imagem do cartaz e a notícia em https://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=7001528

sábado, 14 de abril de 2018

A natureza do amor (2) - as experiências de Harlow com macacos rhesus

Através de um conjunto de experiências realizadas com macacos rhesus Harlow acabou por concluir que « no bebé macaco, a procura de alimento é voluntariamente sacrificada à procura de contacto com a mãe; que este contacto assegura um bem-estar, uma segurança que nada poderia substituir; que consitui uma emoção, com uma força e uma persistência quase inacreditáveis. Foi ao espectáculo desta emoção que Harlow chamou amor, enquanto Bowlby, descrevendo mecanismos, empregou a expressão mais sóbria de vinculação.» (Zazzo, 1974 «A vinculação», in Zazzo (Org.) A vinculação, Lisboa, Socicultur, 1978)

Algumas das experiências de Harlow estão acessíveis, felizmente, no youtube. Deixo aqui o que foi visionado em aula e que serviu de base à nossa análise.

 

Como vimos, Harlow construiu dois modelos maternais, duas "mães", uma de arame que fornecia alimento e outra de pano e observou o comportamento e o desenvolvimento do macaco bebé neste contexto artificial. Antes das experiências registadas nestes videos, Harlow já tinha descoberto a importância do conforto-contacto no desenvolvimento do bebé macaco. São dele estas palavras: "Ficámos impressionados com a possibilidade de, acima e para além da fonte borbulhante do seio ou do biberão, o conforto-de-contacto poder ser uma variável muito importante no desenvolvimento da afeição do bebé pela mãe" (Harlow, in ob. cit. p. 84). As experiências registadas nestes videos visam testar a hipótese de que o importante para o desenvolvimento, do ponto de vista psicológico, não é o alimento, mas o contacto, o calor, o conforto do corpo materno, o que será denominado a variável "conforto-contacto".
Neste video, que por comodidade de análise, dividimos em três partes, a primeira (correspondente sensivelmente ao primeiro minuto) é completamente esclarecedora a este respeito. Chamemos-lhe Situação 1 - Observação do comportamento do macaco bebé perante a mãe de arame e a mãe de pano. "A mãe de arame é biologicamente adequada mas psicologicamente inapta" (ob. cit. p.88)

E o amor é...ouvimos Harlow responder ao entrevistador"segurança"

Situação 2 - Observação do comportamento do macaco bebé perante um estímulo indutor de medo (minutos 2-3). "Uma função da verdadeira mãe, quer seja humana ou não humana, e presumivelmente do modelo maternal é providenciar um clima de segurança à criança, nos momentos de perigo e de medo" (ob. cit.p.88)


Situação 3 - Observação do comportamento do macaco bebé numa situação estranha ou ambiente desconhecido dotado de estímulos indutores de curiosidade ou de comportamento exploratório (minutos 2 -3)
Só na presença da mãe, fonte de segurança, "exploravam e manipulavam um estímulo e então voltavam à mãe antes de se aventurarem outra vez no novo mundo desconhecido. O comportamento destes bebés era bastante diferente quando a mãe estava ausente do quarto." (ob cit. pp 90-91).



Teste HIV nas farmácias

A propósito do trabalho que está a ser realizado no âmbito do Projeto de Educação Sexual de Turma (PEST) com várias turmas da nossa escola e com o envolvimento de professores do Grupo Disciplinar de Filosofia, que incluiu o visionamento do filme "Filadélfia" e que tem previsto um debate e palestra com a participação do Núcleo da Cruz Vermelha de Torres Vedras, considerámos pertinente a inclusão desta notícia recentemente publicada, a 12 de março de 2018, intitulada Testes para HIV e Hepatite vão poder ser feitos em farmácia e com o subtítulo Os testes não necessitam de receita médica e os resultados serão conhecidos em 15 minutos. ( notícia e imagem retiradas daqui https://www.sabado.pt/ciencia---saude/detalhe/testes-para-hiv-e-hepatite-vao-poder-ser-feitos-em-famracias)



«As farmácias e laboratórios de análises clínicas já estão autorizados a fazer testes rápidos para a detecção por VIH e hepatites virais (B e C) sem ser necessário prescrição médica. O processo é simples e rápido: basta picar o dedo, recolher três gotas de sangue e em cerca de 15 minutos os resultados tornam-se acessíveis. Os testes vão incluir tudo o que é necessário e estarão disponíveis para venda em breve, não sendo ainda conhecidos os preços que serão praticados.

A autorização para a venda destes testes em farmácias partiu do Ministério da Saúde que argumentou a sua necessidade devido à "defesa do interesse público" e lembrando que a taxa de diagnóstico tardio de VIH/sida em Portugal é "das mais elevadas" da União Europeia. O despacho publicado esta segunda-feira em Diário da República indica ainda que adesão das farmácias e dos laboratórios de patologia em terem estes testes disponíveis é voluntária.

Apesar de não estarem disponíveis nas farmácias, estes exames existem há já alguns anos nos hospitais e centros de saúde, em centros de aconselhamento de detecção precoce da infecção VIH/sida (CAD), nos centros de respostas integradas para comportamentos aditivos e dependências (CRI) e em diversas organizações de base comunitária, onde são gratuitos, lembra o jornal Público.

"Esta medida vai permitir identificar de forma mais precoce casos de infecção e acabará por contribuir para reduzir o estigma social", acredita a directora dos programas nacionais para a infecção VIH/sida e hepatites virais da Direcção-Geral da Saúde (DGS), a médica Isabel Aldir.

O objectivo é, para a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Paula Martins, chegar a grupos que habitualmente não aderem às medidas convencionais, "quebrando o ciclo de transmissão e mudando o padrão epidemiológico".

Em Espanha, o custo deste tipo de dispositivos varia entre os 25 e os 30 euros, mas em Portugal os preços ainda terão que ser definidos pelo Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde).

Caso o resultado seja positivo, os testes carecem de uma segunda confirmação já que, apesar de serem fiáveis, não servem como testes de diagnóstico. Mas ao realizar o teste num destes pontos, o farmacêutico pode comunicar o resultado e encaminhar a pessoa para cuidados médicos, enfatiza Isabel Aldir.

"É uma medida emblemática, um passo em frente. Estes testes serão efectuados em condições de privacidade, num gabinete, os resultados serão transmitidos ali e a ocasião será aproveitada para fornecer informação adicional", acrescentou Paula Martins.

O Infarmed vai publicar os requisitos para a concretização da medida nos próximos 30 dias, informa o Público.

A natureza do amor (1) - as experiência de Harlow com macacos rhesus



 
imagem retirada de: http://www.clinico-psicologo.com/os-estudos-de-harlow-vinculacao/


A natureza do amor... É um título atraente. Dir-se-ia de um ensaio filosófico ou de um romance com êxito de vendas garantido.
É um título ousado... O Amor está no início das primeiras grandes explicações míticas sobre o mundo como elemento gerador, está nos primeiros filósofos - séculos VII-VI a. C., como força explicativa da união e da harmonia do Cosmos... A primeira grande obra que o tem como tema central é o Banquete de Platão, filósofo grego da Antiguidade Clássica (séculos V-IV a. C.). Nela encontramos um conjunto de convivas, onde se inclui Sócrates, que vai dissertando e dialogando acerca do Amor e da sua natureza...
Mas também nas artes, do romance à poesia, da pintura à música, do teatro ao cinema,  o tema do amor tem dado origem, e continua a dar, a grandes obras que perduram e, na verdade, também a muitas outras que se vão com o tempo...

E só para dar exemplos que os nossos alunos conhecem, podemos dizer que é  sobre a natureza do Amor o poema soneto de Camões que tem como primeira estrofe
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente,
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.
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Que é o Amor que une Baltazar e Blimunda no Memorial do Convento de Saramago...

Que é ainda o Amor que liga Carlos a Eduarda nos Maias de Eça de Queirós...

E que dizer de Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco? Que dizer de Simão e Teresa? Desse amor que nunca se consumou e se resolveu em dor e morte? E do amor devotado e sem esperança de Mariana por Simão?

A natureza do amor ( The Nature of Love ) é o título escolhido pelo psicólogo Harry F. Harlow, em 1958, para o seu artigo publicado pela revista especializada de Psicologia, The American Psychological Association, que constitui um marco histórico na psicologia genética. Nem literatura nem poesia... Temos, pela primeira vez, um estudo experimental que tem o amor como objeto. Falamos, então, de quê, quando falamos de amor? Esta pergunta pode ser difícil se pensarmos nas referências que fizemos acima, mas para a ciência as coisas tornam-se mais definidas e sem possibilidade de grande especulação. Então, o que temos a fazer em primeiro lugar é definir o conceito que utilizamos. Assim, o amor é, primeiramente, "uma ligação íntima da criança à mãe". É esta ligação, observável nomeadamente através de comportamentos de procura de proximidade, que precisa de ser explicada. Que fatores estão na sua origem? Esta ligação depende do facto da mãe alimentar o bebé, como defendia a tese psicanalítica? É a partir destas perguntas que Harlow vai conceber e realizar um conjunto de situações experimentais que permitam identificar quais são as variáveis que determinam a resposta que definimos como "amor", quer dizer, a ligação afetiva da criança à mãe.

Nota: O artigo de Harlow a que fazemos referência encontra-se traduzido em português inserido na obra As ligações Infantis, Lisboa, Bertrand, 1976, pp. 79-104.