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sábado, 26 de setembro de 2020

Dicionário Filosófico - Dogma

Há termos que são usados em diversos contextos, podendo assumir significados diferentes. É o caso do termo "dogma" e de outros da mesma família, como "dogmatismo" ou "dogmático". Sendo assim, convém que selecionemos o significado mais esclarecedor para alunos que se iniciam no estudo da filosofia.

Transcrevemos a definição do Dicionário Escolar de Filosofia em https://criticanarede.com/d.html 

dogma

Uma afirmação ou teoria cujo partidário se recusa a discutir e para a qual não apresenta quaisquer razões sólidas. Por exemplo: quem defende que os animais não têm direitos porque são animais, e se recusa a discutir o tema, está a afirmar um dogma. Neste sentido, a filosofia, a ciência e as artes opõem-se ao pensamento dogmático dado que tendem a favorecer a diversidade e a discussão aberta. (Desidério Murcho)



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O que é um argumento? O que é argumentar?

Argumentar é produzir considerações destinadas a apoiar uma conclusão. Argumentar é quer o processo de fazer isso (e, neste sentido, a argumentação pode ser uma discussão acalorada ou prolongada) quer o seu produto, i. é., o conjunto de proposições aduzidas (as premissas), o padrão da inferência e a conclusão alcançada. Um argumento pode ser dedutivamente válido, caso em que a conclusão se segue das premissas, ou ser persuasivo de outras maneiras. A lógica é o estudo das formas válidas e inválidas dos argumentos.
                              Simon Blackburn.(1977). Dicionário de Filosofia. Lisboa: Gradiva, p.23

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Paradoxos, falácias e distrações





Este post surge motivado por um diálogo com o P. M., do 10ºA, em torno de alguns paradoxos que o tinham entusiasmado. Assim, começo por dar uma definição de paradoxo que ajude a compreender o seu significado. Em filosofia ( e não só) convém sempre saber do que estamos a falar. E definir "paradoxo" não é nada fácil!!! Recorro ao Dicionário de Filosofia de Simon Blackburn, que me parece conseguir uma definição bastante acessível:
                     " Um paradoxo surge quando um conjunto de premissas aparentemente indisputáveis dá origem a conclusões inaceitáveis ou contraditórias. A resolução de um paradoxo implica mostrar que há um erro escondido nas premissas, ou que o raciocínio é incorreto, ou que a conclusão aparentemente inaceitável pode, afinal, ser tolerada. Os paradoxos desempenham, portanto, um papel importante na filosofia, visto que a existência de um paradoxo não resolvido mostra que há algo nos nossos raciocínios ou nos nossos conceitos que não compreendemos."

Deste modo, os paradoxos são sempre um desafio para o pensamento. Provavelmente há algo que nos está a a escapar e exige investigação mais rigorosa e conhecimentos que ainda não possuímos. A resolução de um paradoxo representa sempre um avanço na nossa capacidade de análise da linguagem e do pensamento.

Exemplo de um dos mais célebres paradoxos:

Paradoxo do Mentiroso
Este paradoxo é atribuído a Epiménides, filósofo cretense do século VII a. C. Epiménides "terá dito que todos os cretenses são mentirosos. Se falou verdade, então o que ele disse é falso e vice-versa." "Há um certo número de paradoxos que pertencem à família do paradoxo do mentiroso. O exemplo mais simples é a frase «Esta frase é falsa», que tem de ser falsa se for verdadeira, e tem de ser verdadeira se for falsa."

O paradoxo do Pinóquio é uma forma de apresentar este paradoxo de uma forma divertida. Aliás, os paradoxos aparecem muitas vezes sob formas bem engraçadas!
retirado de https://pt.slideshare.net/Will_Ananias/aula03-lgica

No entanto, a resolução dos paradoxos tem pouco de engraçado e muito de trabalho, de análise lógica e matemática! Mas não compliquemos! Uma maneira de resolução do paradoxo do mentiroso é considerar que a frase "Esta frase é falsa" nada diz, por isso não pode ser classificada como verdadeira ou falsa, quer dizer, não tem valor de verdade. Vejamos se explico melhor. Quando digo "este cão é um animal" tenho como referente a realidade "cão" (na qual também não me incluo!!!!) e é em relação a esse referente que é possível classificar a proposição como verdadeira ou falsa. Esta análise não pode ser aplicada a "esta frase é falsa"!  

Pode acontecer que um paradoxo se revele, afinal, uma falácia, quer dizer, um argumento mal construído, inválido, mas com aparência de válido. No entanto, por norma, devemos distinguir os paradoxos das falácias. Os paradoxos envolvem uma contradição logicamente inaceitável e as falácias são argumentos inválidos com aparência de válidos. As falácias contêm violações de regras lógicas, mas que, frequentemente, não se detetam de imediato.

E para não nos deixarmos enganar facilmente convém também analisar o valor de verdade das premissas. É que se tomamos distraidamente como verdade uma premissa que o não é, mesmo raciocinando corretamente,  arriscamo-nos a ter de aceitar uma conclusão falsa!

Atentemos neste argumento que o P. M. nos trouxe:

Tudo o que é raro é caro
Tudo o que é bom e barato é raro
Logo, tudo o que é bom e barato é caro

Perante esta conclusão inaceitável, há uma pergunta que se impõe. Será que tudo o que é raro é caro? Tudo? Não há coisas raras que não sejam caras? É que basta haver uma para a proposição ser falsa! E, na verdade, há coisas raras que não são caras. Aliás, é o que enuncia a premissa menor! Portanto, não é possível aceitar  como verdadeiras simultaneamente a primeira e a segunda premissas! O argumento está logicamente bem construído, é válido, mas tem uma premissa falsa que, caso a aceitemos, compromete a verdade da conclusão. Surpreendidos com a conclusão? Sim, se aceitarmos como verdade aquilo que o não é. Acontece muitas vezes. Por isso é que a filosofia é tão importante! Ela ajuda-nos a estar mais atentos às palavras e aos seus significados! 




sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Dicionário Filosófico - Lógica

     «Ciência geral da inferência. A lógica dedutiva, na qual a conclusão se segue de um conjunto de premissas, distingue-se da lógica indutiva, que estuda a maneira como as premissas podem sustentar uma conclusão sem no entanto a implicar. Na lógica dedutiva, a conclusão não pode ser falsa se as premissas são verdadeiras. O objetivo da lógica é tornar explícitas as regras através das quais as inferências podem realizar-se, e não estudar os processos de raciocínio que as pessoas usam de facto, e que podem ou não conformar-se com essas regras. No caso da lógica dedutiva, se perguntarmos por que razão temos de obedecer às regras, a maneira mais geral de responder é dizer que, se não o fizermos, nos contradizemos.(...)»
Simon Blackburn.(1977). Dicionário de Filosofia. Lisboa: Gradiva.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Dicionário Filosófico - Sócrates

Para quem se inicia na filosofia um dicionário dá sempre jeito... É claro que ficamos a saber muito pouco, mas é sempre um começo. Um dicionário é como um mapa enorme e complexo, mas que nos ajuda na viagem... E vai dando orientação para possíveis paragens, desvios, sem nunca perder de vista o caminho. 
Neste post apresentamos aquele que se constitui como uma referência filosófica incontornável. Falamos de Sócrates, filósofo grego (séc. V a.C.), cidadão ateniense, que granjeou fama, popularidade e ódios diversos. Concebia a filosofia como uma tarefa intelectual e uma forma de vida, que tinha o seu lugar na polis e que abordava qualquer tema que fosse do interesse dos homens, dos cidadãos, dos homens livres que tinham nas suas mãos o destino da cidade. 

Escultura do séc.I d.C. - Museu do Louvre

«Sócrates (c. 469-399 a. C.)

Uma das figuras mais carismáticas e enigmáticas da história da filosofia. Embora nada tenha escrito, a sua influência é enorme e é responsável pela viragem da filosofia das questões da natureza para as questões humanas. Pouco mais se sabe acerca da sua vida, para além de que participou na guerra do Peloponeso e foi condenado à morte sob a acusação de impiedade e de corromper a juventude. Também se sabe pouco acerca do seu pensamento, embora seja a figura central de muitos diálogos de Platão, uma vez que é difícil diferenciar o Sócrates histórico da personagem platónica. Para Sócrates, a filosofia é um modo de vida e, por isso, fazia filosofia na ágora (praça pública), no ginásio ou nas ruas de Atenas, dialogando com aqueles que estivessem dispostos a investigar com ele um qualquer conceito moral. Começava por pedir ao seu interlocutor a definição de uma virtude, como a justiça, e depois, por intermédio de perguntas e respostas, levava-o a chegar a uma conclusão contraditória (ver contradição) com a definição que tinha apresentado. Com este método de refutação (elenchus) procurava mostrar àqueles que pretendiam ser sábios que as suas crenças (vercrença) eram inconsistentes (ver inconsistência) e, deste modo, levá-los a formular crenças mais adequadas. Apesar de afirmar não saber as respostas às questões que punha sobre as definições, há algumas ideias que parece ter assumido. As mais importantes são que a virtude, embora não possa ser ensinada, é conhecimento; que ninguém faz o mal (ver mal moral) voluntariamente; que não se pode fazer mal a um homem bom; que é pior fazer do que sofrer o mal; e que todas as virtudes se reduzem a uma, o conhecimento do que é e não é bom para um ser humano. Ver dialécticaética das virtudesironiamaiêutica. (Álvaro Nunes)»

Dicionário Escolar de Filosofia em https://criticanarede.com/s.html

sexta-feira, 15 de abril de 2016

EPICURISMO - DICIONÁRIO FILOSÓFICO

1. Juntamente com o ESTOICISMO e o CEPTICISMO, uma das três grandes filosofias do período helenístico. Tem origem na filosofia de Epicuro (341-271 a. C), filósofo grego que em 306 fundou em Atenas uma escola chamada "Jardim". O epicurismo retoma e desenvolve o atomismo de Leucipo e Demócrito, defendendo que os únicos existentes per se são os corpos, constituídos por átomos, e o espaço vazio, ambos infinitos. O universo é eterno e infinito e o nosso mundo é apenas um entre muitos. O prazer é o único bem e o objectivo natural do ser humano, ao qual todos os outros se subordinam. O sofrimento é o único mal e não existe qualquer estado intermédio. O nosso objectivo principal é minimizar o sofrimento, o que se consegue através de um modo de vida simples e do estudo da física, o qual elimina as duas principais fontes de angústia, o receio dos deuses e da morte, e permite alcançar um estado de tranquilidade ou imperturbabilidade (ataraxia), que constitui a forma de felicidade mais elevada e o objectivo correcto da vida.

Dicionário Escolar de Filosofia, Plátano Editora, em http://www.defnarede.com/c.html


2. Epicurismo - Doutrina de Epicuro e de seus seguidores segundo a qual, na moral, o bem é o prazer. isto é, a satisfação de nossos desejos e impulsos de forma moderada, levando assim à tranquilidade. Por extensão. e de forma imprópria. este termo passou a aplicar-se a todo aquele que faz do prazer ou do gozo o objetivo da vida, o assim denominado "epicurista". (...) Segundo Epicuro, o prazer é o começo e o fim da vida feliz e constitui o Bem supremo, cujo modelo perfeito nos é fornecido pela vida de delícias levada pelos deuses. Mas trata-se de um prazer obtido apenas no término de um discernimento refletido. Epicuro (341-270 a.C.)

H. JIAPIASSÚ e MARCONDES, Dicionário Básico de Filosofia, Rio de Janeiro, Zahar Ed. 2001, em http://dutracarlito.com/dicionario_de_filosofia_japiassu.pdf

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ceticismo - Dicionário Filosófico

Consultar um dicionário de Filosofia de vez em quando pode ser útil. 
Para facilitar, vamos inserindo aqui alguns conceitos importantes para os alunos de 10º e 11º anos de Filosofia.
A.
 CETICISMO
A perspectiva que nega total ou parcialmente a possibilidade do conhecimento. De acordo com o céptico, se bem procurarmos, encontramos sempre boas razões para duvidar mesmo das nossas crenças mais fortes. Há dois grupos de argumentos cépticos: o primeiro baseia-se nas diferenças de opinião, mesmo entre as pessoas mais conhecedoras; o segundo, baseia-se nas ilusões perceptivas. Há diferentes tipos de cepticismo. Uma forma radical de cepticismo é geralmente atribuída a Pirro de Élis (c.360 a. C.-c.270 a. C.), para quem devíamos suspender o nosso juízo em relação a todas as coisas. A resposta habitual a este tipo de cepticismo é procurar mostrar que é auto-refutante (ver AUTO-REFUTAÇÃO), pois se podemos afirmar que nada sabemos é porque já sabemos precisamente isso. TambémDESCARTES procurou responder aos argumentos cépticos, mostrando que há pelo menos uma coisa que resiste à dúvida mais insistente: que existimos. Além do cepticismo radical há outros tipos de cepticismo que limitam o seu âmbito apenas a certas áreas. Este tipo de cepticismo parcial pode aplicar-se a aspectos metodológicos: empiristas, como HUME, são cépticos em relação ao conhecimento a priori do mundo (ver A PRIORI/A POSTERIORI), enquanto que alguns racionalistas duvidam do conhecimento EMPÍRICO. Mas também se pode dirigir apenas a determinado tipo de entidades: o conhecimento de outras mentes, a existência de Deus, o conhecimento do futuro, a INDUÇÃO (ver PROBLEMA DA INDUÇÃO), o conhecimento de verdades éticas, o conhecimento do MUNDO EXTERIOR, etc. Sexto Empírico (c. 150-c.225) e Michel de Montaigne (1533-92) são dois dos mais destacados defensores do cepticismo. AA

Dicionário Escolar de Filosofia, Plátano Editora, em http://www.defnarede.com/c.html

B.
 CETICISMO (do gr. skeptikós: aquele que investiga) 1. Concepção segundo a qual o conhecimento do real é impossível à razão humana. Portanto. o homem deve renunciar à certeza, suspender seu juízo sobre as coisas e submeter toda afirmação a uma dúvida constante. Oposto a dogmatismo.
2. Historicamente. o ceticismo surge na filosofia grega coin *Pirro de Élis. Há, no entanto, várias vertentes no ceticismo clássico. *Sexto Empírico, seu principal sistematizador, defende a posição da *Nova Academia. segundo a qual se a certeza é impossível. devemos renunciar às tentativas de conhecimento do ceticismo pirrônico, o qual embora reconhecesse a impossibilidade da certeza, achava necessário continuar buscando-a. Tradicionalmente distinguem-se no ceticismo três etapas: a *epoche. a suspensào do juízo que resulta da dúvida; a *zétesis, a busca incessante da certeza: e a *ataraxia, a tranqüilidade ou imperturbabilidade que resulta do reconhecimento da impossibilidade de se atingir a certeza e da superação do conflito de opiniões entre os homens. Na concepção cética, portanto. a *especulação filosófica retornaria ao senso comum e à vida prática.
Ver pirronismo.
3. No pensamento moderno, sobretudo com *Montaigne e os humanistas do Renascimento, o ceticismo é retomado como forma de se atacar o dogmatismo da escolástica, o que leva à adoçào de uma concepção de conhecimento relativo. Há também nesse período uma corrente do chamado ceticismo fideísta, que argumenta que, sendo a razão incapaz de atingir a verdade, deve-se então apelar para a fé e a revelação como fontes da verdade. A dúvida cartesiana pode ser considerada como tendo se inspirado na noção cética de suspensão de juízo, a epoché, noção esta também retomada mais tarde pela *fenomenologia.
4. Pode-se considerar que o ceticismo inspira em grande parte a atitude crítica e questionadora da filosofia contemporânea. Por exemplo, as questões da relatividade do conhecimento e dos limites da razão e da ciência, que a epistemologia contemporânea trata, têm raízes no ceticismo clássico e no moderno.
H. JIAPIASSÚ e MARCONDES, Dicionário Básico de Filosofia, Rio de Janeiro, Zahar Ed. 2001, em http://dutracarlito.com/dicionario_de_filosofia_japiassu.pdf