quarta-feira, 11 de abril de 2018

Igualdade de género


 Sempre que sentimos necessidade de tomar posição sobre um assunto acerca do qual várias são possíveis, recorremos à argumentação. Recolhemos dados, informações e organizamos um discurso que apresente boas razões para sustentar a nossa tese.

Foi o que fez o M.F. do 11º C, num texto intitulado «Igualdade de género».
 

«Igualdade de género, uma necessidade social, uma obrigação moral, um direito e um dever, a igualdade entre géneros é algo que tem vindo a ser estabelecido com o decorrer de gerações, porém não se encontra tão fixa nos dias de hoje como talvez deveria.

Desde o início dos tempos, o ser humano tem assumido uma estrutura social relativamente hierarquizada, existindo sempre a figura de um líder. Se formos analisar os grandes líderes ao longo dos tempos, encontraremos homens e mulheres, porém, se procurarmos saber o número de líderes pertencentes ao sexo feminino e de líderes pertencentes ao sexo masculino da História, acharemos uma notável ausência de ladies, verificando então uma enorme presença de lords. Mas porquê?

Nos primórdios da humanidade, em que a vida humana se resumia à satisfação das nossas necessidades corporais, talvez tenha feito sentido a maior presença de líderes masculinos, devido às diferenças entre a fisionomia do homem e da mulher. O homem, mais forte, em norma, por razões biológicas, estava mais apto para a árdua e perigosa caça que sustentava a tribo. Para além disso,  a presença em maior quantidade de hormonas como a testosterona no corpo masculino podia inspirar noutros membros da tribo reações do foro bioquímico que os levariam a considerar o seu líder um homem e não uma mulher.

Porém, com o evoluir do homem e do ambiente historico-cultural que o rodeia, a força bruta deixou de ser um atributo necessário à constituição de um líder. No entanto, a ideia de um líder forte e viril estava enraizada no sociedade, e a mulher era percebida como frágil e fraca. Com o passar do tempo a desigualdade entre géneros mantinha-se enorme, até que, nos séculos XVIII e XIX, com a criação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, a mulher passou a reclamar aquilo que merecia, um estatuto igual ao do homem.

Então, no mundo inteiro, foram surgindo movimentos feministas, como as suffragettes, no final do século XIX, e mentes feministas brilhantes, como Simone de Beauvoir, no século XX.

Hoje em dia, a igualdade de género encontra-se a níveis muito mais aceitáveis do que anteriormente, no entanto, ainda há mulheres que sofrem às mãos dos seus patrões, recebendo menos dinheiro que os homens para trabalhos iguais.

Alguns decerto dirão que "as mulheres deviam receber menos que os homens porque trabalham menos".

Este argumento para além de falso é falacioso, pois as mulheres não trabalham menos que os homens, e, para além disso, o que está a ser posto em causa é o facto de para cargos iguais, e indivíduos com as mesmas qualificações, as mulheres receberem menos dinheiro. Isto é-nos confirmado por dados recolhidos em 2013: as mulheres recebem em média menos 173 euros por mês do que os homens, em Portugal.

Verificamos ainda desigualdade de género nos meios de comunicação, quando por exemplo uma mulher cujo cônjuge é famoso, nos é apresentada numa notícia como: "mulher de...". Este é o mais perigoso tipo de desigualdade social, pois, para além de ser intrínseco aos indivíduos da nossa sociedade, não é condenável aos olhos da lei.

Devo no entanto constatar que não são só as mulheres vítimas da desigualdade de género. Os homens também a sofrem, quando, por exemplo, querem reportar à polícia algum tipo de abuso da parte de um indivíduo do sexo feminino e são posteriormente gozados por colegas, conhecidos ou até mesmo os agentes da polícia.

Concluo com a minha opinião de que a igualdade de géneros não devia sequer ser um problema colocado numa sociedade tão avançada como a nossa, pois para além de imoral é ilegal; segundo a Constituição da República Portuguesa, “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.”»
Questão muito antiga não resolvida, a questão da igualdade de género está na ordem do dia e, inclusivamente, na agenda política. Em Portugal temos, sob a alçada da Presidência do Conselho de Ministros, uma Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), cuja fundação data de 1977, o que revela um interesse institucional em enfrentar um problema e contribuir para encontrar as melhores soluções. No seu site - https://www.cig.gov.pt/ -  encontramos informações e documentação relevante para melhor refletir sobre esta questão e desenvolver um pensamento crítico e informado, objetivo importante do trabalho que desenvolvemos com os nossos alunos.

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